Morin e sua experiência de leitor

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Para discutir o tema literatura e inclusão, a Jornada de Passo Fundo 2003 trouxe ao Brasil um dos mais festejados intelectuais da atualidade. O sociólogo e filósofo francês Edgar Morin foi a grande presença do evento e recebeu no dia 28 de setembro o título de professor honoris causa da Universidade de Passo Fundo (UPF). Morin ficou vários dias na cidade, passeou pelo centro, circulou pelas bancas da jornada e atendeu fãs dos mais diferentes lugares do País. Ele trouxe à discussão sua enorme experiência de leitor, iniciada ainda na adolescência com a morte da mãe. Morin diz que, a partir de então, se refugiou nos livros, numa espécie de intoxicação contra o sofrimento. Veio daí uma forte relação com as letras e uma duradoura amizade com Leon Tolstói, Fiodor Dostoievski, Blaise Pascal, Joseph Conrad, enfim, a nata da literatura universal, nomes que, apesar de famosos, causaram, como em jornadas anteriores, estranhamento nos debates. O público, formado, em grande maioria por professores de literatura e estudantes, é acostumado a ler quase que exclusivamente literatura brasileira. Mesmo com pouco eco entre os ouvintes, diversas vezes reviveram, no palco da Jornada, os nomes de Homero, Hesíodo, Dante, Cervantes, Flaubert, Borges, Lautreamont, Balzac etc, num constrangedor desfilar de nomes tão comuns na estante de qualquer leitor e frequentemente tão distante das estantes dos brasileiros.

E por que esses nomes não entram na escola? Porque o tipo de leitura dos próprios professores é freqüentemente pragmática. Morin confessou em uma entrevista: “Eu lia novelas escondido nas disciplinas que não me interessavam muito”. E como mudar isso? “Penso que a missão dos professores é convidar e mostrar aos alunos que as novelas são coisas importantes, não um luxo, mas não há muitos professores de literatura que façam isso. Fazem uma mistura com a semiótica, que é cortar os textos em pedacinhos e fazer considerações lingüísticas”. Mas por que os professores e os estudantes deveriam ler esses textos? “Porque a leitura de novelas não é unicamente sobre coisas do imaginário. Ali estão os problemas mais fundos, os mais importantes da vida”, acredita Morin.

Foto: Tiago Lermen
Foto: Tiago Lermen
Foto: Tiago Lermen

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